domingo, 21 de fevereiro de 2010

O SORRISO MAIS VIP DO CARNAVAL

Renato: o Sorriso mais vip do carnaval
O currículo do gari Renato Lourenço, de 45 anos, vai além das centenas de ruas nas quais já passou a vassoura, que ele trata como “minha bandeira”. Sorriso, como passou a ser conhecido desde o carnaval de 1997, quando sambou enquanto varria a Sapucaí, ganhou fama e já fez show até na Europa. Em 2006, carregou a tocha das Olimpíadas de Pequim pelas ruas do Rio de Janeiro. Este ano, ele foi a celebridade mais vip do sambódromo, com acesso livre a quatro camarotes e direito a encontro com a estrela Madonna, a rainha do pop. — Não fui eu que conheci a Madonna. Ela é que me conheceu. Brincadeiras à parte, é um prazer receber esses artistas na nossa cidade. Quanto mais gente importante, melhor para o carnaval — festejou Renato. Para não perder a semana de Momo e a oportunidade única de “bater um papo” com Madonna, Lourenço superou as dores causadas por uma inflamação no púbis. Afinal, um carnaval sem Sorriso não seria tão alegre.
'Difícil é limpar a cidade'
Renato trabalha no coleta de lixo há quase 15 anos. No dia 22 de dezembro de 1995, deixou de ser fiscal de mercadorias de uma loja de móveis para pegar na vassoura. Até hoje, trabalha na área da Praça Comendador Xavier de Brito, na Tijuca. Não pega tanto no pesado, mas reconhece o valor da labuta. — Devo tudo ao meu emprego. A melhor fantasia que um cidadão pode ter é a carteira de trabalho. Encontrar a Madonna é mole. Difícil é limpar as ruas debaixo de sol, chuva, temporal — afirmou.
Luta pelo maior sonho, a casa própria
Quando a vassoura de Sorriso leva os confetes para a lixeira e o pierrot recolhe a fantasia, o cotidiano volta a bater à porta do gari mais famoso do Rio. Garoto-propaganda de uma cervejaria e celebridade no carnaval, ele batalha por seu maior sonho: livrar-se do aluguel. Morador de Tomás Coelho, divide a casa com a mulher Leila, de 37 anos, e os filhos Jeferson, Renan e Larissa. — Ser famoso não é a mesma coisa que ter dinheiro. Ralo muito para sobreviver — disse Renato.
Futuro Turismólogo
As ruas devem perder, em breve, o seu ilustre varredor. Há 15 dias, Sorriso ganhou uma bolsa de estudos e está cursando Turismo em uma faculdade particular. — Preciso investir no futuro, melhorando minha formação — afirmou o gari.
Extraído do site: http://extra.globo.com/blogs/rodadesamba/posts/2010/02/20/renato-sorriso-mais-vip-do-carnaval-267978.asp

sexta-feira, 19 de fevereiro de 2010

CONCURSO DEFINE AS 10 FINALISTAS DO MISS GARI DE SÃO PAULO

Emoção e suspense na 2ª semifinal
Até mesmo as candidatas mais seguras e controladas, nesta segunda e última semifinal do concurso Miss SIEMACO, realizado pela Secretaria da Mulher, viveram momentos de muita emoção e suspense. A eliminatória, realizada dia 30 de janeiro no espaço STIESP, classificou 10 candidatas que participarão da grande final marcada para o dia 7 de março. Mas, como bem esclareceu a diretora do SIEMACO ecoordenadora da Secretaria da Mulher, Márcia Adão, desde a primeira etapa do concurso, quando 600 mulheres da categoria se inscreveram, todas já eram vencedoras:
“A invisibilidade é um dos problemas enfrentados pelas mulheres da categoria. Quando criamos o concurso, ele se tornou um desafio também para nós, pois nosso objetivo maior é elevar a auto estima e mostrar à sociedade a importância que essas mulheres têm, não apenas para seus núcleos familiares, mas para toda a cidade. Ao recebermos 600 inscrições tivemos a certeza que nosso recado havia sido compreendido e que essas mulheres estavam dando o primeiro passo para que fossem reconhecidas. Outro desafio é mostrar que ser uma bela mulher não significa necessariamente ter um padrão estético estabelecido pela mídia e sim a beleza do alto-astral, da simpatia e da garra que nossa categoria tem de sobra”, disse Márcia.
As finalistas foram premiadas com uma viagem em um final de semana no Rio de Janeiro. A final será no dia 7 de março, em uma casa de shows da capital.
Extraído do site da SIEMACO (http://www.siemaco.com.br/noticias/02022010/miss_2semi%20_3_.pdf) e do Portal G1, edição SP.

quinta-feira, 7 de janeiro de 2010

RESPOSTA DOS GARIS A BORIS CASOY


Garis ofendidos por Boris Casoy não estão magoados
Os garis mais famosos do Brasil nos últimos dias foram localizados pela equipe de reportagem da Folha Online e concederam uma entrevista ao repórter Márcio Neves. Os varredores Francisco Gabriel de Lima e José Domingos de Melo fizeram jus a oração de São Francisco que diz que “é perdoando que se é perdoado” e que não estão magoados com a “frase infeliz” que foram dirigidas a eles pelo jornalista.
Eles disseram que ficaram chateados, mas não estão revoltados. “O pagamento é só Deus que resolve, não tenho revolta e nem mágoa”, diz o gari Francisco Gabriel de Lima. Eles ainda disseram que receberam apoio do Brasil todo e terminam a entrevista pedindo a Deus que abençoe o Boris. Finalizam, com muita humildade, desejando ao jornalista votos de um feliz ano novo com muitos anos de vida.
Parte dessa reportagem foi extraída do site: http://www.vooz.com.br/ - Edição: Jefferson Xavier - Fonte: Jefferson Xavier - Jex
Veja toda a matéria e os comentários na íntegra: http://www.vooz.com.br/blogs/garis-ofendidos-por-boris-casoy-nao-estao-magoados-26427.html

quarta-feira, 6 de janeiro de 2010

ARTIGO DE NEGRO JOBS SOBRE BORIS CASOY

Um feliz 2010 para Boris Casoy
Um episódio lamentável chamou minha atenção na semana passada. O apresentador Boris Casoy, um homem de reputação ilibada e de grande importância para a sociedade, considerado um dos jornalistas mais conceituados da TV brasileira, desferiu um duro golpe contra os garis no último dia do ano. Vejo que a manifestação elitista e preconceituosa dele não condiz com a liberdade de imprensa ou de expressão. No ar, mas sem querer que fosse divulgado, Boris Casoy disse que nós, os garis, somos “merda”. Sem saber que o áudio estava sendo transmitido, ele realizou um comentário pelas imagens passadas em seu próprio jornal. Dois garis, de forma gentil e humilde, desejaram feliz 2010 para todos. Foi o bastante para que Casoy realizasse o seguinte comentário: “Que merda: dois lixeiros desejando felicidades do alto da suas vassouras. O mais baixo na escala do trabalho”.
Penso na dignidade da pessoa humana, no sentido da vida e no que realmente somos e para onde todos vamos quando chegar nosso último minuto aqui na Terra. A primeira sensação que tive foi de humilhação frente aos meus filhos, parentes, vizinhos e amigos. Porque ainda sou e vou continuar sendo gari. Não é uma eleição para vereador, que é cargo passageiro, que mudará minha vida, minha origem e meus laços de amizade. O meu gabinete, vira e mexe, tem a presença e visita de garis. Portanto, não falo aqui com demagogia: sou gari. Permaneço fiel aos meus companheiros. Lutei e luto pelo plano de saúde, pelo plano de cargos e salários e pelo fim de perseguições e demissões sem direito de defesa de nossos companheiros.
E quando vejo um jornalista do gabarito de Boris Casoy externando seus comentários, sincera mente, fico chateado e indignado. Boris é um dos heróis que tive na imprensa, uma pessoa que me motivou a andar pelas ruas e repetir seu bordão: “Isto é uma vergonha!”. Considero você, Boris, ao lado de grandes nomes da televisão brasileira, como Jô Soares, Paulo Francis e Silvio Santos.
Acho que suas desculpas no dia seguinte foram simples frente à gravidade de seu comentário, que ficará registrado para sempre na internet. Acho que toda pessoa é vulnerável, passível de erro. E, sim, ainda continuo acreditando em Boris. Acrecido que ele é um ser em aperfeiçoamento, apesar de grande homem.
Mas como representante dos garis preciso desabafar e explicar para você, Boris, que tais expressões (“merda” e “lixeiro”) não podem representar seu caráter, caso contrário estaremos diante de um potencial criminoso, um racista com poder de emissão de informações, um sujeito individualista e hipócrita.
Falo em nome de todos que limpam essa sujeira produzida pela sociedade, que ainda está longe de ser civilizada quanto ao tratamento do lixo que produz. Não que seja melhor que os demais colegas. Acontece que ocupo cadeira na Câmara Municipal de Goiânia e tenho mais acesso aos meios de comunicação e informação. Por isso hoje mesmo ligarei para a TV Bandeirantes e pretendo falar com o apresentador, requisitando que aprimore seu espírito em evolução e peça desculpas com um grau maior de elaboração. Acredito que Boris não pode simplesmente pedir desculpas, como fez, e continuar sua vida normalmente. Deve estender suas reflexões, aprimorar seu espírito, direcionar sua atuação para comportamentos menos preconceituosos e integrar entidades da sociedade civil que lutam pela igualdade de direitos entre todos – sejam homossexuais, sejam deficientes físicos, negros ou garis.
Em sua manifestação monstruosa, Boris censurou internamente um direito dos garis expressarem “feliz 2010”. Quer dizer: o médico e a professora podem desejar um bom 2010 para todos, mas os garis não? Qual o problema com o gari, Boris? Não é gente? Não trabalha? Não desempenha sua função corretamente? As ruas estão, por acaso, sujas? Se explique melhor, querido.
Você merece o perdão do gari brasileiro. Mas deve se informar: não somos comedores de carniça nem estamos na última escala do trabalho. Porque, senhor jornalista, no Brasil vale é a lei. E a lei não escalona o trabalho humano. Realizamos a limpeza do planeta. Você nos informa. Garis existem nas ruas da África, da Europa ou Ásia. Se somos predestinados a limpar o mundo e você a informar, apenas cumprimos funções diferenciadas dentro da sociedade. Desejo ruas mais limpas, imprensa sem sujeiras e parlamento limpo. Quero ter minha consciência limpa e livre do materialismo que possivelmente motivou a infeliz reflexão. É isso, Boris, que desejo para você em 2010: prosperidade, saúde, riqueza e bom senso em seu trabalho.
Na medida em que assimilei as suas palavras na TV Bandeirantes senti um orgulho caloroso no peito. E jamais expressões como essas (‘lixeiro’, ‘baixo’, ‘merda’), que ouvimos nas ruas todos os dias, irão nos afetar. Somos fortes. Trabalhamos com o sol cortando nossa pele. Enfiamos a mão na matéria decomposta. Imploramos por um copo de água nas ruas. Mas acredito que nenhum gari vai se sentir menor por isso. E sabe o motivo, Boris? Porque existem garis com mestrado, doutorados e pessoas ainda mais qualificadas em estudo que você. Elas exercem com dignidade um trabalho que deveria ser motivo de orgulho para todos. Todos nós, com faculdade ou não, com respeito dos vizinhos ou não, somos trabalhadores honestos, vitoriosos por vencer uma prova de concurso público e dignos de termos nossa importância. O preconceito existe. E vamos lutar contra ele. Definitivamente, não é uma vergonha ser gari, Boris. Enfim, feliz 2010.
Extraído do Diário da Manhã:

http://www.dm.com.br/materias/show/t/um_feliz_2010_para_boris_casoy - Negro Jobs é gari e vereador em Goiânia (garinegrojobs@gmail.com / http://www.negrojobs.com.br/)

sábado, 2 de janeiro de 2010

BORIS CASOY - PRECONCEITUOSO APRESENTADOR HUMILHA GARIS


Preconceituoso apresentador humilhada garis quando o som vaza durante jornal da Band no dia 31 de Dezembro de 2009.
Isso é uma vergonha, seria muito pedir sua demissão da televisão nacional?
Boris Casoy agora tem milhares de inimigos no Brasil
O jornalista Boris Casoy ao cometer a gafe de criticar os garis num vazamento de um vídeo publicado no Youtube não imaginou a tamanha repercussão negativa sobre seu trabalho e que gerou protestos em todo o País em sites, blogs e outros jornais.
Uma grande parte de brasileiros que o admiravam passaram agora a ter repúdio do seu profissionalismo e falam em boicotar seu jornal na Band. Pelo menos, os internautas mais fervorosos estão profundamente indignados com suas infelizes declarações. E não adiantou pedido de desculpas no telejornal dessa sexta-feira (01). Já existem na internet movimentos como “Fora Casoy Já”.
O jornalista caiu no seu próprio bordão "Isso é uma vergonha".
Parte dessa reportagem foi extraída do site: http://www.vooz.com.br/ - Edição: Jefferson Xavier - Fonte: Jefferson Xavier - Jex

quarta-feira, 16 de dezembro de 2009

EX-GARI ROZELI DA SILVA DÁ DEPOIMENTO EM NOVELA

Ex-gari Rozeli da Silva dá depoimento em capítulo de Viver a Vida
A gaúcha Rozeli da Silva, fundadora do Renascer da Esperança, entidade que atende a 350 crianças e adolescentes da Restinga, apareceu em rede nacional ontem ao final da novela Viver a Vida, da TV Globo. Como de praxe na trama de Manoel Carlos, ao final de cada capítulo uma pessoa conta sua história de superação. Rozeli contou um pouco de sua trajetória de ex-menina de rua, semi-analfabeta, e de como conseguiu dar a volta por cima.
Rozeli gravou o depoimento em outubro nos estúdios da RBS TV, em Porto Alegre. A ex-gari foi elogiada pela desinibição em frente às câmeras:
- Eu sentei e pediram para que eu começasse a contar a história da minha vida. Foi só chegar, sentar e falar - contou.
Até à noite de terça, a expectativa era com relação ao que a edição da novela iria valorizar de tudo o que Rozeli contou sobre as batalhas da sua vida.
Em horário nobre, ela apareceu dando o seguinte depoimento:
"Eu com 11 anos fui para as ruas de Porto Alegre e fui presa, fui para a Febem. Ali eu tive que fazer a escolha da minha vida. Quando eu saí da Febem eu disse: Nunca mais vou ir presa. Arrumei um homem com 12 anos de idade para ir morar com ele. Só que ele assaltava e apanhava da polícia e eu apanhava dele depois em casa. Com 12 anos fiquei grávida e continuava apanhando dele. Com 16 anos fiquei grávida de novo. Fui queimada, levei coronhada de revólver, tive os dedos cortados. Um belo dia ele foi preso. Fui trabalhar, limpar a casa dos outros por um prato de comida com as minhas duas filhas. A minha patroa me inscreveu no Departamento Municipal de Limpeza Urbana. Como é que eu vou lá trabalhar se eu não sei nem ler nem escrever? No auditório eles disseram: 'não existe nenhum gari analfabeto em Porto Alegre'. Daí eu comecei a me alfabetizar. Ali eu mudei a minha vida. Hoje eu sei que valeu a pena todo o sacrifício que eu fiz, pois hoje eu digo que eu vivo uma vida que eu amo tanto, amo minhas filhas. Hoje eu posso acreditar naquilo que eu consigo fazer."
Extraído do site ClicRBS do Rio Grande do Sul - http://www.clicrbs.com.br/

quinta-feira, 10 de dezembro de 2009

ROZELI DA SILVA: EXEMPLO DE PERSEVERANÇA E CORAGEM


Fonte do Vídeo: ViaPolítica/O autor/Cartola
O jornalista e videomaker Sebastião Ribeiro, que assina esta produção exclusiva para ViaPolítica, dirige a Cartola - Agência de Conteúdo, em Porto Alegre.
E-mail: sebastiao@cartolaconteudo.com.br
O vídeo e a reportagem Renascida das ruas podem ser livremente reproduzidos, na condição de que seja respeitada sua integridade e citados o autor e as fontes.
Acesse a reportagem: http://www.viapolitica.com.br/VPTV_07.php



ROZELI DA SILVA: EXEMPLO DE PERSEVERANÇA E CORAGEM
A história de vida da gari Rozeli da Silva não só é comovente como estimulante. Filha de uma mãe solteira, Rozeli enfrentou dificuldades em sua infância. Criou-se com auxílio de seus nove irmãos, dividindo os serviços de casa. Ora tinha o que comer, mas na maioria das vezes, não.
Aos seis anos, preferiu começar a pedir nas casas. Dessa maneira, conseguia alimento para seus familiares. Entretanto, a comida foi diminuindo. Rozeli passou a freqüentar, com outras amigas, o Centro da cidade, atrás do que comer e de dinheiro.
Após passagens pela FEBEM - Fundação Estadual para o Bem-Estar do Menor -, Conselho Tutelar e perseguições policiais, percebeu que não havia nascido para isso. Casou-se aos 11 anos, a fim de sair de casa e não passar fome. No entanto, confessa que essa não foi a melhor solução, por não ter tido um romance feliz com seu primeiro marido. Já com duas filhas, Rozeli foi trabalhar em uma casa de família, na qual aprendeu a passar, lavar, arrumar.
Em 1987, ingressou no DMLU - Departamento Municipal de Limpeza Urbana -, quando passou a varrer ruas. “Enquanto fazia meu serviço, na Restinga, vi uma moreninha de chinelo de dedo no meio de agosto, pedindo nas casas. Lembrei muito da minha infância e pensei que poderia ter um lugar onde as crianças pudessem estudar, comer, levar um auxílio para a família sem precisar pagar nada. Apenas para ser um cidadão respeitado na sociedade”, confessa.
Desde então, cada vez que presenciava crianças mendigando ou morando nas ruas, Rozeli pensava que poderia ajudar. Depois de certo tempo, teve um sonho: o de estar, juntamente com a assistente social do DMLU, coordenando um local destinado a meninos e meninas menos favorecidos. Considerado como uma mensagem, o sonho foi perseguido até a sua concretização.
Iniciou aí a construção do Centro Infantil Renascer da Esperança. Funcionando, efetivamente, desde 1998, o Centro atendia inicialmente 40 crianças. Hoje, são 220 menores divididos em dois turnos: manhã (das 8h às 12h30min) e tarde (das 13h30min às 17h30min). São disponibilizadas as refeições de café da manhã, almoço e lanche da tarde, além das atividades extracurriculares como teatro, aula de capoeira, futebol, música etc.
“O principal objetivo do Renascer é possibilitar que esses jovens tenham oportunidades melhores na vida. Desejo que eles sigam o caminho certo, para serem reconhecidos como cidadãos de bem na sociedade”, afirma Rozeli. Todas os exercícios realizados durante o dia visam a integrar esses pequenos com a cultura, proporcionado-lhes maior aprendizado.
A maioria dos beneficiados vêm indicados pelo Conselho Tutelar, fazendo parte do cinturão de pobreza da Restinga. Porém, muitos são filhos de mães que trabalham o dia todo, ou de pais solteiros que não têm onde deixá-los enquanto estão fora. Para integrarem o grupo as crianças, devem estar matriculados em escolas. Do contrário, serão encaminhados para o colégio mais próximo, devido à parceria do Renascer com a Secretaria da Educação.
A faixa etária escolhida é dos três aos 17 anos e 11 meses. Rozeli definiu essa idade porque acredita que antes disso as crianças ficam com as mães e após já podem ser encaminhadas para o primeiro emprego. “Nessa fase o auxílio é muito importante. Assim elas não ficam nas ruas aprendendo o que não devem”, esclarece.
Ao visitar o Centro, percebemos a dedicação de Rozeli e das outras funcionárias para levarem a melhor orientação possível a essas crianças. O amor, a preocupação, a vontade de fazer o melhor pelo futuro da nova geração faz dessas pessoas exemplo de solidariedade e cidadania.
Mensagem de Rozeli:
Se nós todos tivermos o objetivo de lutar pelas periferias, seja pela Restinga, Cruzeiro, Maria da Conceição, com certeza teremos um país mais justo e uma sociedade melhor de se viver. Não podemos apenas nos ‘gradear’ e achar que estamos livres da violência. Cada um tem a sua parcela de culpa por não ajudar os menos favorecidos. Acreditar que nossa atitude pode mudar a realidade é essencial. Bem como crer em nossas crianças, pois eles, que estão hoje aqui, é que vão fazer o dia de amanhã!
Com toda essa motivação e bom humor, a Rozeli da Silva e seus parceiros no Renascer da Esperança merecem ser homenageados pelo nosso Jornal. Parabéns pelo ótimo trabalho!
Texto publicado na edição 11 do Jornal Capital 30.
Extraído do Site: http://www.cidadaolegal.com.br/v2/cidadaos1.asp?id=8 - Projeto Cidadão Legal
Mais sobre nossa amiga Rozeli da Silva na Revista Bem Me Quer, edição nº 4 de Dezembro/2009, ou pelo Site: http://www.revistabemmequer.com.br/edicoes/04/

sábado, 5 de dezembro de 2009

SÃO PAULO PROMOVE CONCURSO PARA ELEGER A MAIS BELA GARI

São Paulo promoverá neste sábado (5) a primeira eliminatória da gari mais bonita da cidade. O evento, realizado pelo Sindicato dos Trabalhadores em Empresas de Prestação de Serviços de Asseio e Conservação e Limpeza Urbana de São Paulo (Siemaco), reunirá 50 candidatas que foram pré-selecionadas entre 600 trabalhadoras por profissionais especializados em moda e beleza.
Neste sábado, sairão as 27 finalistas. O concurso tem como meta valorizar "a auto-estima das mulheres da categoria", afirmou Márcia Adão, diretora da Secretaria da Mulher do Siemaco. A data da final não foi definida ainda.
Serviço
O evento acontecerá a partir das 16h no auditório do Sindicato dos Eletricitários, que fica na Rua Tomaz Gonzaga, 50, na Liberdade.
Extraído: Globo.com - G1 - Edição São Paulo
SAIBA QUEM SÃO AS CANDIDATAS A MISS GARI 2009

terça-feira, 3 de novembro de 2009

GARI PIANISTA FAZ DUETO COM NETO DE JOBIM


MAKING OF: Gari diz que seu dom para música vem de sua genética. Assista a entrevista na íntegra no site da Globo: http://g1.globo.com/Noticias/Rio/0,,MUL1362938-5606,00-GARI+PIANISTA+FAZ+DUETO+COM+NETO+DE+JOBIM.html
Élson Júnior aproveita pausa do almoço para tocar piano.
Gari também dá aulas de música.

Um gari vem chamando a atenção de todos por causa de seu talento musical: todos os dias ele vai tocar piano na subprefeitura do Centro do Rio. E Élson Júnior, de 26 anos, ganhou um presente: um dueto com o neto do ídolo Tom Jobim, Daniel Jobim.
A história dele é surpreendente: Élson é um gari como tantos, mas tem um talento como nenhum outro. Ele mora em Nova Iguaçu, na Baixada Fluminense. Todos os dias ele acorda às 4h para chegar às 8h na prefeitura do Rio de Janeiro.
“Aqui a gente faz uma quantidade grande de rua. Na Comlurb, a gente tem setores que a gente trabalha: tem o Saara, a Rua Uruguaiana, Rio Branco, no total de três a quatro ruas por dia totalizam um setor, esse é o nosso trabalho”, explicou Élson. “Antigamente o gari era o famoso lixeiro e algumas pessoas ainda têm esse pensamento de ver o gari como lixeiro”.
“Só quem trabalha nessa profissão para saber como é difícil às vezes ser ignorado pela sociedade, mas eu admiro muito”, se orgulhou a esposa de Élson, Ana Lúcia Silva.
“Ele nunca se deixou abater pelas dificuldades, pelas adversidades, até porque a nossa família nunca teve condições de proporcionar aquilo que ele queria”, disse o pai do gari, Élson Ferreira da Silva.
Emocionada, a mãe Sandra Regina Silva também se diz orgulhosa do filho.
No trabalho, a parada ao meio-dia é sagrada. “Esse é o momento que a gente para pra poder almoçar e não pode demorar muito. A gente come rapidinho, porque daqui a gente já está indo ali para o lugar onde a gente faz aquele som todos os dias”, revelou.
Élson Júnior corre, porque ele tem hora marcada na subprefeitura.
“Eu vim aqui e o piano não estava sendo utilizado atualmente. Aí eu vim fazer uma limpeza no local, aí cheguei aqui e vi o piano, pedi para o superior encarregado para fazer um som, na hora ele meio que relutou, mas depois eu vim aqui falei com a moça da Guarda Municipal. Ela disse 'pode tocar'. Mas senti que ela ficou meio assim, 'um gari tocando piano'”.
Dueto com Daniel Jobim
O ídolo do gari é Tom Jobim. E para surpresa de Élson, o neto de Tom, Daniel Jobim, que também é músico foi convidado para um dueto. “Não sei nem o que falar, eu estou meio em êxtase”, disse.
Aulas de música
O talento do gari é usado para ensinar. “Eu dou aula de violão e de teclado para a galera. Se eu puder facilitar o caminho de alguém, eu vou facilitar. Eu me considero mais um incentivador do que um professor”.
Élson também ensinou muita gente a ler e escrever. “Essa semana eu tive o privilégio, através do ensino que ele me deu, de assinar o papel das minhas férias, meu 13º, assinar tudo isso”, contou uma das alunas de Élson.
Em casa, Élson tem apenas um violão. Os outros instrumentos que ele toca são emprestados. Mas ele acredita na realização de um sonho: “Eu acho que a cozinha não é o lugar adequado pra um piano, mas como ele não passa nessa porta. A não ser que a gente desmonte o piano. Não sei, podia tirar até a geladeira, o fogão, contanto que eu tivesse como fazer o meu som, podia ficar no lugar da geladeira e do fogão. O homem, se ele não sonha, ele não vive, ele é morto. O homem tem que sonhar”, e Élson Júnior se despede com uma homenagem a um grande amor: uma música para sua mulher.

Extraído do G1 - O Portal de Notícias da Globo

quinta-feira, 22 de outubro de 2009

CONCURSO PARA GARIS ATRAI 22 MESTRES E 45 DOUTORES

Com inscrições abertas desde o dia 7, o concurso público para a seleção de 1.400 garis para a cidade do Rio já atraiu 45 candidatos com doutorado, 22 com mestrado, 1.026 com nível superior completo e 3.180 com superior incompleto, segundo a Comlurb (Companhia Municipal de Limpeza Urbana).
Para participar do concurso, basta ter concluído a quarta série do ensino fundamental. As inscrições terminam amanhã.
Somados, os candidatos que já passaram pelos bancos de universidades representam quase 4% dos 109.193 inscritos até anteontem. Os anos de estudo a mais, porém, não devem colocá-los em vantagem na disputa --a seleção é feita por meio de testes físicos, como barra, flexão abdominal e corrida.
Aqueles que forem contratados trabalharão 44 horas por semana e receberão salário de R$ 486,10 mensais, tíquete alimentação de R$ 237,90, vale-transporte e plano de saúde. A remuneração poderá ser acrescida ainda de um adicional por insalubridade.
Aluno do segundo período de história da Estácio de Sá, no Rio, Luiz Carlos da Silva, 23, disse ter ouvido muitos comentários preconceituosos dos colegas quando contou que disputaria uma vaga de gari.
"Disseram que eu era maluco, que eu ia ficar fedendo a lixo... Mas a faculdade hoje não garante emprego nem estabilidade para ninguém. Eu quero segurança", diz ele, que, no entanto, planeja continuar estudando para no futuro trocar o trabalho de gari pelo de professor de escola pública.
"Meu sonho é dar aula, é o que eu gosto de fazer", afirma o estudante de história.
Já Ronaldo Carlos da Silva, 42, ex-aluno do curso de letras da UFRJ (Universidade Federal do Rio de Janeiro), vê no concurso de gari a chance de reorganizar a vida, após um ano de desemprego.
Se for bem-sucedido, pretende voltar à sala de aula, que teve de abandonar quando ainda estava no terceiro período do curso -sem trabalho fixo, tinha dificuldades até para pagar o transporte para ir à universidade. Insatisfeito com a faculdade de letras, porém, quer cursar direito. "Vou fazer um curso preparatório", planeja.
Também desempregada, Thaiane do Prado Gomes, 21, estranhou ao ouvir que iria disputar vagas com pessoas com curso superior e até mestrado e doutorado. "Isto aqui é para quem não tem escolaridade. Para os outros tem mais oportunidade. Eu mesma, que completei o segundo grau, fiquei na dúvida se devia me inscrever."
Extaído da Folha de São Paulo

domingo, 11 de outubro de 2009

CONCURSO PROVOCA FILA GIGANTE

Rio - O primeiro dia de inscrição do concurso para gari da Comlurb (Companhia Municipal de Limpeza Urbana) mostrou, mais uma vez, o quanto as 1.400 vagas serão disputadíssimas. Só quarta-feira foram recebidas 20 mil inscrições. Se o movimento se mantiver assim, até 23 de outubro, prazo final do cadastro, serão cerca de 340 mil candidatos. Ou 240 concorrentes por vaga.
Para sair na frente, o candidato deve se preparar o quanto antes. Diferentemente das outras seleções, esse concurso será composto apenas por etapas de exercícios físicos. Até a última seleção, os participantes tinham que calcular o IMC (Índice de Massa Corporal).
Mas, é preciso ter condicionamento físico compatível com a atividade. Segundo a Comlurb, os garis varrem, em média, 2,5 km por dia. Por semana, a jornada de trabalho é de 44 horas semanais. Com o sistema de esvaziamento dos contêineres por mecanismos automáticos dos caminhões, a tarefa ficou um pouco menos pesada para os profissionais. No dia da prova, os pretendentes terão que apresentar boa forma física. Eles precisarão fazer exercícios de abdominal, teste da sinuosa, apoio sobre o solo e corrida/caminhada. Depois, serão avaliados quanto a postura durante execução da tarefa, correto manuseio das ferramentas (como a vassoura, por exemplo), além de disciplina, persistência e capacidade de concentração. Marcos Dario, 35 anos, já começou a se exercitar para garantir boa colocação nos testes físicos. “Faço caminhada e agora vou intensificar ainda mais os exercícios”, contou ele, que busca, com a aprovação, estabilidade profissional.A orientação do professor de Educação Física Gustavo Cardozo é simples: “Correr de maneira moderada no início e, quando o concurso se aproximar, treinar mais forte. Mas sempre descansando e se alimentando de maneira adequada”. A nutróloga Tamara Mazaracki lembra que o candidato deve comer frango e peixe, verduras, frutas e legumes.
DICAS - TESTE FÍSICO: Professora de Educação Física da Comlurb Renata Targa orientou na elaboração dos testes do concurso. Segundo ela, a barra fixa deve ser o exercício mais difícil para as mulheres.
PREPARAÇÃO: Os candidatos devem correr todos os dias. Ou, no mínimo, três vezes por semana, durante 20 minutos. Importante também fazer exercícios de abdominal.
HIDRATAÇÃO: O candidato não deve esquecer de beber bastante líquido durante todo o dia. A água deve ser tomada sempre antes, durante e depois dos exercícios físicos. Já a alimentação deve ser leve e balanceada. Abuse das frutas, verduras e legumes.
Prazo máximo para fazer inscrição termina dia 23
As inscrições para o cargo de Profissional de Operações de Limpeza da Comlurb, mais conhecido como gari, também podem ser feitas pela Internet. O endereço é http://www.funrio.org.br/. Quem não dispõem de computador ou tiver dúvidas na hora do fazer o cadastro, deve recorrer ao postos fixos da Funrio, empresa organizadora do concurso. A instituição disponibiliza computadores com acesso gratuito à página oficial do concurso. É possível fazer a inscrição no Sambódromo (Setor 2, acesso pela Rua Benedicto Hipólito com Rua Marquês de Sapucaí, Centro) e no Centro Esportivo Miécimo da Silva (Rua Olinda Ellis 470, portão P4, Campo Grande). A taxa é de R$ 10. Quem não tinha condições financeiras deveria ter pedido isenção até o último dia 8.Para essa seleção, a Comlurb oferece 1.400 vagas que serão preenchidas ao longo do ano que vem. Mas, segundo a presidente da companhia, Angela Fonti, 5 mil candidatos aprovados nos testes físicos irão fazer parte do banco de reserva. Quinhentos serão convocados logo que o concurso for homologado (a partir de dezembro), para atender à demanda atual. Podem participar candidatos que tenham, pelo menos, concluído as quatro primeiras séries do Ensino Fundamental.O gari trabalha 44 horas por semana (divididas por seis dias) e tem remuneração inicial de R$ 724, soma do salário base de R$ 486,10, mais R$ 237,90 de tíquete-alimentação ou refeição. Os trabalhadores ainda têm direito a vale-transporte e plano de saúde, e adicional de insalubridade e noturno, quando necessário.
O concurso terá duas etapas e começará selecionando os candidatos portadores de necessidades especiais. Eles farão os testes nos dias 7 e 8 de novembro. Os demais candidatos irão se apresentar de 14 a 20 de novembro. Os resultados estão previsto para serem divulgados em 22 de dezembro.
Fonte: O DIA online

quinta-feira, 24 de setembro de 2009

GARI CONHECE TUDO SOBRE GEOGRAFIA MUNDIAL

Um gari que tem o ensino fundamental incompleto e que até três meses recolhia o lixo das ruas de Aracaju conhece quase tudo sobre Geografia através das viagens que faz pelo mundo da leitura. José Augusto dos Santos, 41, lê tudo que encontra, ganha e compra sobre o assunto nas horas vagas desde os 23 anos, quando uma professora de Geografia o orientou a buscar nos livros e no mapa mundi, as respostas para as perguntas que fazia sobre o assunto.
“O que mais gosto de estudar de Geografia! É tudo”, disse o gari conhecido por todos como ‘Geografia’ e que desde junho deixou as ruas para trabalhar, na mesma empresa, a Torre, em um terreno da prefeitura, no bairro Farolândia. Ele é responsável nesse local por manter limpa a área, destinando o entulho trazido por carroceiros da região em um contêiner existente no terreno. A leitura só acontece nas horas vagas, entre uma limpeza e outra.
Ele não usa a Internet para aprimorar seus conhecimentos, apenas os livros, grande parte deles doados pela vizinhança do bairro onde trabalha, que vê nele um personagem de uma memória e conhecimentos fantásticos. “Ele sabe nome de países que pensava que nem existiam”, exclamou a funcionária pública federal que mora na Farolândia, Anete Maria de Santana. Ela disse que noinício não acreditou, até que foi conferir as informações que ele passou e viu que estavam certas.
O interesse pela Geografia surgiu quando José Augusto ainda era criança ao observar o horizonte na primeira vez que viu o mar, aos oito anos. Ele morava em Gararu num orfanato coordenado por um padre belga. Um dia, esse padre trouxe as crianças para um passeio em Aracaju para ver o mar. “Ao sair do mar comecei a olhar a distância e uma pessoa me disse que ele era infinito. Aquilo ficou em minha cabeça, até que em 1991, a lembrança veio. Encontrei uma professora e comecei a fazer um monte de perguntas. Ela me aconselhou a comprar um mapa mundi e um globo para buscar a partir dali as respostas que tanto buscava”, relembrou.
E foi assim que ele fez. Na época trabalhava como ajudante de servente na construção civil. Comprou o mapa e o globo e começou a estudar em casa, nas horas vagas. “Aí vi que o mundo era grande e descobri que em frente ao Brasil está a África, continente com 53 países”, disse com desenvoltura. Os colegas de trabalho zombavam dele que no horário de almoço estava sempre lendo sobre o que mais gosta. Zombaram também quando ‘Geografia’ quis batizar o filho mais velho de Taiwan “uma ilha que fica no continente asiático numa área de 36 mil km² e a capital é Taipé”, complementou a resposta. Desistiu do nome, mas não de se aprofundar nos estudos da disciplina que tanto gosta.
Nesses 18 anos, comprou e ganhou livros. “É o povo se formando e eu me informando. Eu digo que não sou formado, sou informado”, falou o gari que sonha em ser um professor (ele diz que já se sente como tal) e conhecer os Estados Unidos. Para José Augusto, conhecimento é tudo e é isso que ele busca. O gari está todos os dias no terreno que fica no final da rua Jorge Cabral, na Farolândia, e espera um dia poder ganhar um exemplar atualizado de Geografia Geral. De todas as informações que José Augusto passou para a reportagem sobre a Geografia, todas estavam corretas.
Fonte: Jornal da Cidade - Sergipe

quinta-feira, 17 de setembro de 2009

O GARI SANDRO SIQUEIRA ACERTA COM O CENTRAL

Impedido de realizar testes no Santa Cruz, gari Sandro Siqueira acerta com o Central.
Após ser barrado no Tricolor pela profissão, ele realiza desejo de se tornar jogador de futebol profissional e vai disputar a Copa Pernambuco.
Sandro Siqueira agora é jogador profissional.
Após ver o sonho frustrado ao ser vetado pelo Santa Cruz devido a sua profissão, o ex-gari assinou contrato, nesta quarta-feira, com o Central-PE. Ele defenderá o time na Copa Pernambuco e no Campeonato Pernambucano de 2010.
Sandro foi contrato pela Patativa após uma série de testes realizados no clube. A busca pelo emprego foi marcada pelo preconceito, já que o ex-gari foi vetado durante uma peneira pela diretoria tricolor.
A explicação para o veto foi porque a diretoria tricolor temia que a presença de Sandro seria munição para as pessoas dizerem que todo mundo entra no Santa Cruz.
ENTENDA O CASO
O Santa Cruz realiza testes para jogadores amadores e profissionais. Em uma peneira, o gari Sandro Siqueira foi selecionado para fazer os testes. Ao chegar ao clube ele foi avisado que não poderia participar da atividade. A justificativa seria sua profissão.
Sem saber que estava sendo gravado por uma repórter do telejornal “NETV”, da TV Globo, o então supervisor de futebol do clube, Flávio Lira, disse:
- Tudo isso é munição para a negada ficar zoando ainda mais com o pessoal. Pode ter certeza que o que vai rolar na cidade é isso. Vão dizer que está todo mundo entrando no Santa Cruz. Infelizmente é.
Alguns dias depois da publicação da matéria, o presidente do clube, Fernando Bezerra Coelho, demitiu o dirigente. O cartola alegou que mudanças no departamento de futebol já seriam realizadas, mas que a declaração de Flávio Lira acelerou a sua saída.
Via assessoria de imprensa, o Santa Cruz informou que Sandro Siqueira seria convidado para fazer os testes. Mas outros times também o convidaram e ele acertou com o Central.
Extraído do Globoesporte.com

sexta-feira, 28 de agosto de 2009

CRÔNICA: O LIXO E O GARI

Numa cidade os carros passam, as pombas olham, os prédios mostram seu poder vertical, ambulantes vendem produtos, fazem barulho e chamam a atenção dos que passam. As vendedoras na porta de cada loja aguardam o fregues, as turmas saem do cursinho, das escolas, formam rodinhas ficam papeando, paquerando com suas camisetas de banda de rock, listradas, os sapatos vermelhos das meninas, as pessoas passam, vem e vão, há dois homens conversando numa lanchonete.
Perto dali há um gari, ele varre todo dia as ruas do centro, as calçadas, as praças, as avenidas movimentadas, a frente das escolas, dos bares, das lanchonetes, dos bancos... Este gari está no calçadão do centro perto de uma igreja, há pouca gente por perto. Ele é um rapaz novo não deve passar dos 25 anos, já tem família um bebe e sua mulher que o esperam em sua casa na periferia. Uma casa humilde de dois cômodos, um quintal pequeno, lugar simples porém aconchegante.
O gari está meio cansado nesta tarde e quer terminar logo seu turno pra chegar em casa beijar sua mulher e curtir o filho.
Ele pára, olha o chão, tem muito lixo pra recolher.
As pessoas esquecem os lugares certos de se jogar o lixo, elas pensam tanto nos problemas, nas casas que tem que comprar, nos carros, nos celulares novos da vitrine, nas roupas das loja, fumam enquanto assistem o brilho da luz fluorescente queimar o sapato de griffe, são cães apreciando o frango no forno da padaria, nada contra os cães claro, trabalham mês a mês aguentando seus chefes, que aguentam seus chefes e descontam nos empregados, que sonham em comprar um cd da banda preferida num camelô e perde após uma semana que logo estão fora de moda, nisso ficam cegos e não enxergam cestos coloridos espalhados pela cidade. É lógico que por causa dessas pessoas cegas, e um pouco por parte da natureza que deixam suas folhas caírem no chão, ele garante seu sustento. Num instante o lixo se move enquanto ele junta os montes com bitucas, papéis de bala, capa velha de celulares, folhas secas, partes de peças de carro, papelão, papéis, panfletos, pedaços de comida, garrafas vazias, cacos de vidro e outros fragmentos de consumo humano.
O lixo de repente faz um movimento brusco como se fosse o vento, mas numa tarde como essa que não venta ele estranha e fica meio incomodado e se irrita com facilidade quando o vento leva a poeira, o lixo que ele tenta varrer, é comum nos irritarmos com situações simples no trabalho, já que são do trabalho e que dão trabalho, a facilidade é um luxo. Ele olha e num instante o lixo começa a se movimentar, ele não entende, olha para os lados pra ver se alguem viu a situação inusitada, o lixo se moventa formando um pequeno redemoinho e cresce assustadoramente, o gari fica paralizado sem saber se corre ou varre o lixo pra dentro do saco, cumprindo assim seu dever. O lixo forma uma boca. Ele hesita levanta o cabo da vassoura como se fosse atacar, mas fica ali, vendo o fenômeno antes visto em cenas de filmes de terror. O lixo vai pra cima do gari, as pessoas passam, não olham, estão apressadas pra ir para suas casas descansar do trabalho, ou pra faculdade, pro cinema e não prestam atenção no que acontece, imaginam que seja mais um maluco fazendo seus malabarismos, ou seus truques com marionetes. O lixo fica maior do que o gari, e num leve gesto vai em direção a ele, e se abre vai comê-lo como se fosse vingar as varridas, a sombra cobre seu rosto e assim o lixo o engole, a vassoura cai no chão, e da mesma forma, um redemoinho contrário e se desfaz no chão, sua missão foi cumprida.
Os carros passam, os prédios no mesmo lugar os ambulantes já se foram em silêncio, as moças atendem, os jovens já se foram, juntaram mais amigos na lanchonete, a cidade segue em seu fluxo contínuo, e as pombas olham.
Extraído do Blog Rotina Agressiva de Alexandre Resende

MURAL DO GARI