domingo, 23 de agosto de 2009

MESTRE JAJÁ, GARI E COMPOSITOR

Gari e compositor, Mestre Jabá é conhecido na Liberdade por cantar ao varrer as ruas.
"Muito prazer. Mestre Jabá, Compositor-Gari da Liberdade". É assim que Serafim Antônio dos Santos, 42, instrutor de capoeira e gari no bairro da Liberdade, região central de São Paulo, se apresenta ao receber a reportagem. Sorridente e extremamente falante, ele é famoso na região por varrer as ruas sempre cantando e dançando.
"Eu canto na rua, canto varrendo, canto nos bares. Eu não tenho vergonha mais", diz Jabá, como é conhecido na região. Diferentemente de Renato Sorriso, gari carioca famoso nos carnavais do Rio, o gari-sorridente de São Paulo gosta de forró.
"Eu também gosto de samba, mas minha paixão é o forró, daqueles do tipo 'rastapé'", diz. Mesmo assim, vez ou outra compõe um samba, como o "Enredo de Carnaval dos Garis", a quem espera representar como vereador um dia.
O carinho pelo ritmo veio da infância na Bahia, de onde Jabá saiu aos 16 anos para conquistar a cidade de São Paulo. Desde então, trabalha como instrutor de capoeira para crianças carentes e, há dois anos, se esforça para deixar as ruas da Liberdade mais limpas e alegres.
Apesar de ser fã do cantor e instrumentista Dominguinhos, o gari-cantor não costuma cantar canções de outros músicos. "Eu gosto de fazer as minhas próprias músicas", diz.
Cada música, diz ele, é inspirada em algum fato relevante que esteja acontecendo. "Eu fiz uma música sobre o Japão, por causa da Liberdade, sobre a lei seca, sobre o que eu escuto eu faço música", afirma.
Como não sabe ler ou escrever, Jabá memoriza as letras e melodias das músicas que compõe. A auxiliar de limpeza e sua "segunda voz" nas apresentações em bares, Judite Ferreira de Souza, que não revelou a idade, confirma: "ele nunca confunde as músicas".
"Eu não sei ler nem escrever, mas minha cabeça é igual a um computador", brinca.
Outro instrumento que o ajuda a memorizar as músicas é o velho gravador que carrega por onde vai. Além das músicas, Jabá grava as entrevistas que concede. Logo no início da reportagem, ele sacou o gravador e pediu: "posso gravar?".
Segundo ele, as fitas são recordações de sua vida. Para provar, troca de fita e bota para tocar um trecho do show de Dominguinhos que assistiu em São Paulo.
Enquanto a fama não vêm - Jabá espera gravar um CD seu para divulgar "pelos programas de televisão" - o "Compositor-Gari da Liberdade" se apresenta diariamente nas ruas da liberdade, das 14h às 22h, para quem quiser ouvir. "Até hoje só ganhei um real cantando. Mas não quero ganhar dinheiro, eu quero é cantar pra todo mundo ouvir."
Extraído da Folha Online de 24/01/2009 - Por Marina Novaes

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